Tradição e fé reúne grande número de fiéis na Paróquia Sant’Ana, em Itaúna
Todos os anos, durante o Tempo da Quaresma, nossa Igreja Católica, Apostólica, Romana, traz fortes momentos de intensa reflexão, penitência e oração. Neste ano de 2014 a Paróquia Sant’Ana, de Itaúna, conseguiu resgatar uma Tradição que estava perdida no tempo e, às vezes, desconhecida de muitos. A Tradicional Encomendação de Almas.
Esta Tradição tem como objetivo reunir fiéis que passam pelas ruas da cidade, sempre à noite, fazendo orações e entoando cânticos em favor daqueles que já nos precederam no Reino dos Céus, que já passaram desta vida e ainda não estão juntos de Deus. Temos conhecimento que no século X na Europa já existia essa piedosa Tradição. Também aqui, em Itaúna, até as décadas de 40, 50 e 60 essa Tradição fazia parte da religiosidade da Quaresma.
Hoje, com o apoio de nossos padres e daqueles que apreciam e conservam as tradições em nosso meio, conseguimos resgatar esse rito tão piedoso e tão rico.
Nas quartas e sextas-feiras, um grupo agregado com mais de 150 pessoas, sempre reunindo-se defronte de um templo Católico, tem trazido aos mais antigos a recordação dos tempos em que nas madrugadas escuras, de céu estrelado, das ruas ainda sem calçamento, sem asfalto, sem iluminação pública e com poucas casas; ao longe se ouve o barulho da matraca que anuncia a passagem da procissão e os cantos próprios da encomendação, que há muitos trazia ou traz medo e arrepios, a outros a elevarem suas orações pelos falecidos, que o referido canto em sua letra fúnebre e melodiosa traz a prece dos três Pai nossos e das Ave-Marias pelo sufrágio de nossos antepassados.
Trazemos aqui um pequeno trecho do canto que é entoado nas sete paradas que se fazem desde o início até os ritos finais da Encomendação.
“Alerta pecador, alerta, deste sono que estás.
Ah! lembrai que hás de morrer,o sono é irmão da morte, mas da morte ninguém se livra.
Peço um Pai – Nosso com uma Ave-Maria. Peço mais um Pai-nosso, para as Almas do Purgatório”.
Na exortação feita por nosso Revmo. Pároco Padre Francisco Cota, a primeira parte do canto é referida a nós que, devemos acordar do sono de uma vida de pecado e que por nosso comodismo e omissões permanecemos acomodados quando, por ventura, podemos ser pegos de surpresa pela morte que é certa, mas a hora é incerta.
Já na segunda parte traz a oração pelos falecidos que, por sua vez, depois de terem passado desta para a outra vida, e já não podendo fazer mais nada por si mesmos, contam com nossas orações para terem o perdão de suas faltas, a salvação que esperam e o descanso eterno em Deus.
Aproveitemos, pois, esses momentos especiais que nossa Igreja, a qual é muito rica em ritos e tradições, nos oferece neste tempo forte de oração e conversão intensas.