Terceira noite do Encontro Cultural Franciscano
Neste dia 10 de setembro de 2014, dando continuidade às atividades do ENCONTRO CULTURAL FRANCISCANO, no CENTRO FRANCISCANO DE FORMAÇÃO E CULTURA, tivemos a grata alegria de ter conosco: Frei Raul de Mello, autor da escultura que estampa o cartaz desta edição, 'Os estigmas de São Francisco'.
Em um tributo a Ariano Suassuna, Frei Jonas Nogueira evidenciou os aspectos teológicos presentes na obra literária 'Auto da Compadecida', destacando: 'Conhecer a literatura nos faz melhores. A leitura refina a mente e a consciência, assim como Suassuna, precisamos nos tornar devoradores de livros. Para Suassuna, 'nem tudo está perdido', pois na obra citada o autor trata da solidariedade de Maria com os pobres e sofredores, conforme declarado: 'A Sua misericórdia se estende a toda a geração daqueles que o temem; Com o Seu braço agiu mui valorosamente; Dispersou os que no coração tem pensamentos soberbos; Derrubou dos seus tronos os poderosos; Exaltou os humildes, encheu de bens os famintos; despediu vazios os ricos…'
Para Ariano Suassuna não podemos ter medo, pois o medo nos paralisa e nos corrompe. A ideia do inferno vazio está presente nos Escritos de Santa Terezinha, onde ressalta que a salvação é uma promessa e o inferno uma possibilidade diante da Misericórdia de Deus. Na obra de Ariano Suassuna Deus é bom e sobretudo bem humorado. Frei Jonas, resumiu assim a obra 'Auto da Compadecida': 1- Crítica o mundanismo como uma das faces patológicas do clericalismo; 2- Desaparecimento da pastoral do medo; 3- Teologia e Literatura como exercício teológico pastoral;
Num segundo momento dos trabalhos, Adriano Luiz Reis, estudioso do Cinema , apresentou seus estudos sobre a Evolução do Cinema em Divinópolis. Destacou vários personagens nesta história, por exemplo, Sebastião Pardini, proprietário de um dos cinemas e que por ser instrumentista [violão], tocava durante as exibições de cinema mudo a trilha sonora ao vivo.
Segundo Adriano, Pardini seguia a seguinte estratégia para trilha sonora: se era triste a cena, tocava-se valsa, se a cena era alegre, tocava-se samba – resumiu. Ainda destacou que a classificação de exibição do cinema teve origem na Carta Encíclica Vigilante Cura, pelo papa Pio XI, em 1936, a princípio direcionada aos Estados Unidos, corresponde a uma manifestação oficial da Igreja Católica Apostólica Romana em relação ao cinema. Nesta encíclica, a Igreja define sua posição em face da atividade cinematográfica, traça diretrizes para a ação dos católicos e conclama a necessidade de se instituir uma classificação moral dos filmes – destacou Adriano. Destacou ainda que o Cine Clube Santo Antônio, uma iniciativa dos frades, para se ter um espaço para veiculação de filmes que preservassem a moral e os bons costumes das famílias divinopolitanas.
O Cine Clube em nada ficava devendo e era comparado aos do Rio de Janeiro, por causa de sua estrutura moderna para época. O Cine Clube Santo Antônio, além de oferecer diversão com bons filmes, ser adorno e orgulho, ainda ajudava com a renda a Santa Casa de Misericórdia de Divinópolis. Segundo Adriano, suas atividades encerram por volta de 1950. Terminando nossa noite, Inácio de Vasconcelos ainda recordou que após o fechamento do Cine Santo Antônio houve a fase do Cine Clube no Salão Paroquial para um público seleto, onde se assistiam e se comentavam os filmes, sempre com a assessoria de algum frade.
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Por Frei Laércio, OFM