Clero de Divinópolis reflete sobre o Evangelho de Mateus com o Padre Johan Konings
Com ajuda de Pe. Johan Konings, professor, escritor e biblista de Belo Horizonte, o Clero de Divinópolis reuniu-se na terça-feira (30/09) para refletir sobre o Evangelho de São Mateus. O livro de São Mateus é o primeiro na ordem dos Evangelhos, embora não tenha sido o primeiro a ser escrito. Ele tem sua grande importância por trabalhar certas questões próprias do tempo de Mateus como, por exemplo, o conflito com o judaísmo. Segundo o conferencista, Mateus apresenta Jesus e o grupo de seus seguidores como o verdadeiro Israel. A palestra de Pe. Konings, providencialmente, coincidiu com o dia de São Jerônimo, que escreveu a “Vulgata” – “Bíblia para o povo”, traduzindo os originais gregos para o latim.
Falando sobre a importância de São Jerônimo, Pe. Konings afirmou que ele abriu a bíblia para a população da Europa e da África. No 4º século depois de Cristo a parte do Império Romano que incluía Israel, falava grego, língua que os evangelhos foram escritos, em sua grande maioria. Para grande parte da população europeia e africana isso, de fato, “soava grego”, isto é, ninguém entendia nada. São Jerônimo se deu ao trabalho de traduzir a bíblia inteira para o latim, inclusive baseando-se nos textos hebraicos mais originais. Nesse sentido, ele é um grande exemplo de divulgador e estudioso da Bíblia:
Pe. Konings afirma que, atualmente, a Bíblia está mais perto do povo, embora o inverso não seja igualmente verdadeiro. A Bíblia está mais perto do povo pela facilidade que hoje se tem em adquirir uma bíblia. Materialmente a Bíblia está mais acessível às pessoas. Apesar disso, convivemos com uma profunda superficialidade. Ela impede uma leitura mais profunda que é fruto de uma convivência maior com o texto sagrado. Outro risco que se percebe, atualmente, é o risco de instrumentalizar a Palavra de Deus para finalidades duvidosas. Parece que muitos veem a Bíblia como um bom negócio. Pe. Konings afirma que “devemos devolver a Bíblia ao povo”. Nesse sentido, precisamos recuperar a idéia da “Vulgata”. A Igreja Católica já tem uma grande riqueza, que são os círculos bíblicos e a própria liturgia dominical. Em três anos a Igreja percorre toda a Bíblia usando, para isso, os textos propostos pela liturgia.
Sobre a atualidade do Evangelho de Mateus, ele afirmou que ele nasceu num momento de crises e soube dialogar com o seu tempo. Dialogando com o judaísmo, Mateus afirma para os próprios judeus que o verdadeiro Israel são os seguidores de Cristo. Decorre disso, portanto, a necessidade que temos de saber dialogar com o nosso tempo e tirar desse grande tesouro, que é a Palavra de Deus, “coisas novas e velhas”. Sobre a nova tradução da Bíblia da CNBB, Pe. Konings afirmou que, certamente, uma parte dela será publicada no próximo ano. No caso, será publicado o Novo Testamento. O Antigo Testamento deverá estar concluído em 2016. Ele é um dos encarregados desse trabalho e já estuda nele há cerca de dez anos. A atual tradução da Bíblia da CNBB aconteceu nos anos oitenta, quando havia uma grande preocupação em facilitar a linguagem, pois o Movimento Bíblico, no Brasil, estava dando os primeiros passos. Na nova tradução a equipe está procurando uma linguagem mais segura para evitar confusão e entendimento errado da Palavra de Deus.