Comentário do Evangelho do 6º Domingo do Tempo Comum (Mc 1,40-45) – 15/02/12
Naquele tempo, 40Um leproso chegou perto de Jesus e, de joelhos, pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”.
41Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero: fica curado!”.
42No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado.
43Então Jesus o mandou logo embora,
44falando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!”
45Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade; ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Comentário do Padre Guilherme
Por ser uma doença contagiosa e que trazia feridas graves ou até perda de partes do corpo, a lepra sempre causou receio na cultura humana. Mais conhecida hoje em dia pelo termo “hanseníase”, não há mais motivo para medo ou exclusão de alguém que seja portador dessa enfermidade, já que existe tratamento e cura.
Mas no tempo de Jesus, uma pessoa leprosa era vítima de muito preconceito e exclusão. Como não existia cura, o doente era considerado já como se estivesse morto. Ninguém queria chegar perto. E não somente pelo medo do contágio do mal físico, mas também pela impureza espiritual. As pessoas entendiam que fosse alguma espécie de castigo divino.
Quando um leproso conseguia recuperar a saúde, portanto, era como se nascesse de novo, como se ressuscitasse. Jesus não conseguia ficar sem fazer nada diante de situações de exclusão. E, ao realizar essa cura, estava devolvendo a vida ao enfermo. Somente Deus tinha o poder de realizar um milagre assim. Essa cura era sinal da Sua divindade.
O pedido que o homem curado se apresentasse ao sacerdote para ser autorizado a voltar ao convívio da sociedade mostra um respeito de Jesus aos preceitos religiosos daquele tempo. Era necessária a autorização religiosa oficial para esse retorno.
Como em outras ocasiões, Jesus pediu também discrição a respeito do milagre realizado. Era a preocupação de que as coisas fossem se desenvolvendo no tempo determinado. Que o conhecimento a respeito da Sua divindade por parte das pessoas tinha hora certa para ser alcançado.
No entanto, o homem curado não se conteve e saiu contando a todos. A ação de Jesus que restabelece a dignidade humana, recuperando quem estava deixado de lado, tem uma força que não pode ser contida. Apesar das forças contrárias vindas das pessoas que manipulavam a religião conforme seus interesses particulares, a graça de Deus se sobrepõe.
___________
*Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14:00 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.