Comentário ao Evangelho do Domingo do Batismo do Senhor (Mc 1,7-11) – 11/01/15

Padre Guilherme escreve semanalmente para o Portal Diocesano de Notícias
8 de janeiro de 2015

Naquele tempo, 7João Batista pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias.

8Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”.
9Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão.
10E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele.
11E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

 

 

Comentário do Padre Guilherme

 

João Batista vivia de uma forma diferente, isolado da comunidade, com vestimentas rústicas e alimentando-se de gafanhotos e mel do campo. E convidava as pessoas ao arrependimento dos pecados e à conversão. Não é estranho, portanto, o fato de algumas pessoas entenderem que ele pudesse ser o Messias esperado pelo povo de Israel.

Mas o Batista faz questão de deixar bem clara sua função de preparar caminho para a vinda do Salvador. Ele se descreve como um servo no gesto de calçar e desatar as sandálias, que era tarefa própria de escravos.

E, para não deixar dúvidas a respeito disso, ele também fala da diferença entre seu batismo, com água, e o batismo que o Messias esperado iria realizar, com a força do Espírito Santo. A força do Espírito é atributo divino de Jesus e iria se manifestar na luta contra o inimigo.

A partir do versículo 9, Marcos passa a contar sobre o batismo de Jesus, onde acontecem sinais sobrenaturais como o céu se abrir e descida do Espírito Santo. Juntamente com a voz vinda do céu, esses sinais mostram a identidade divina do Salvador, Sua missão e Seu poder. Jesus, sendo Deus, possui o Espírito Santo em plenitude e é capaz de conceder esse Espírito a quem n’Ele se batizar.

Enquanto os grandes profetas do tempo do Antigo Testamento eram guiados pela força do Espírito Santo e conduziam o povo para a salvação, Jesus, por ser o Filho de Deus, é cheio do Espírito e capaz Ele mesmo de trazer a salvação aos homens.
O que a voz vinda do céu disse, faz lembrar ditos do Antigo Testamento que previam a chegada do salvador definitivo: “Tu és o meu Filho” (Sl 2,7; Gn 22,2.12.16), “Em ti ponho meu bem-querer” (Is 42,1).

É interessante pensarmos no porquê de Jesus se dar a batizar. Se João Batista ministrava um batismo de arrependimento e de conversão, Jesus, sendo o Filho de Deus, não tinha necessidade de se converter e muito menos de se arrepender, já que não tinha pecados. Apesar disso, Ele se coloca na fila dos pecadores, sendo solidário como falava Isaías a respeito do servo de Deus. É o servo que se une à condição dos seres humanos para poder lhes trazer a salvação. Jesus não pecou, mas uniu-se aos pecadores para resgatá-los. Uma figura que pode ajudar nossa reflexão sobre o sentido do batismo de Jesus é a seguinte: estando uma pessoa mergulhada na água, a ponto de morrer afogada, alguém somente conseguirá resgatá-la se também entrar na água.

Assim, podemos entender melhor o significado de Jesus ser batizado. Se até ali Ele já havia iniciado Sua ação de resgate dos homens tendo assumido a condição humana, a partir do batismo, Ele mergulhou fundo na missão salvadora da humanidade, colocando-se em igualdade de posição com os pecadores, embora não tivesse pecado.

E. nesse gesto. Deus manifesta, pela descida do Espírito e pela declaração da identidade do Filho, a identidade divina de Jesus.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14:00 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9