Comentário do Evangelho do Domingo da Epifania (Mt 2,1-12) – 04/01/14

Padre Guilherme escreve semanalmente para o Portal Diocesano de Notícias.
2 de janeiro de 2015

1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém,

2perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.
3Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém.
4Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer.

5Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta:

6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”.
7Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”.
9Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino.
10Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande.
11Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.
12Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

 

Comentário do Padre Guilherme

 

Um dos assuntos principais que Mateus trata em todo o Evangelho que escreveu é o confronto que surgiu entre Jesus e os judeus. Nesta passagem nós vemos que a chegada do Salvador preocupa o rei Herodes. Ele e as outras pessoas que se beneficiavam do poder sentem medo de perderem para o Messias esse poder, com o qual oprimiam e escravizavam o povo.

A presença dos magos, querendo saber do Salvador, nos indica que Jesus veio para todos os povos. O amor divino que se pode experimentar n’Ele é aberto para todas as pessoas, mesmo as de outros credos e religiões. E a estrela que serviu de guia para eles também nos mostra que na natureza, na criação, existe possibilidade de se perceber a indicação da presença e do amor de Deus.

Os magos acreditam em Herodes e continuam a viagem seguindo a estrela. Quando eles chegaram ao local onde Jesus estava com seus pais, oferecem presentes tradicionais da Arábia, provavelmente a região oriental de onde eles vinham. E nesses presentes, ouro, incenso e mirra, nós podemos encontrar referências também sobre o que ia ser a vida de Jesus: O ouro significa a realeza, o poder de rei, que Jesus tem por ser o Filho de Deus. O incenso é um material utilizado em momentos de oração: sua fumaça preenche todo o lugar, como que recolhendo as intenções, e sobe ao céu, chegando a Deus. Assim é Jesus, que toma a todos nós para levar a Deus. E a mirra também tem um significado profundo. É um material utilizado no embalsamamento, ou seja, a preparação do corpo de alguém que morreu. É uma prefiguração da ação através da qual Jesus trouxe a salvação ao mundo: sua morte redentora.
Os magos foram avisados em sonho para não voltarem a Herodes. É Deus que interfere para que sua promessa de amor possa se cumprir. Isso traz a nós um sentimento de alegria. Deus é bondoso, amoroso, capaz de interferir na história para que nós possamos ser salvos.

Diferente do relato no Evangelho de Lucas, Mateus não descreve como o nascimento aconteceu, mas se preocupa mais em contar que é Jesus o Messias esperado. E a confirmação disso aparece na profecia que anunciava o nascimento do Messias em Belém. Os chefes religiosos da época sabiam disso e, nesta passagem, vemos isso na resposta que eles apresentam quando Herodes pergunta sobre o local do nascimento do Salvador.

Em tudo nessa profecia nós podemos ver a semelhança entre Jesus e Davi: mesma cidade de nascimento, mesma descendência e mesma missão de chefe do povo. A esperança era de que o Messias fosse um rei tão bom como foi o rei Davi. Entretanto, Jesus foi rejeitado por aqueles que deveriam O acolher. Foi mais reconhecido por quem vinha de longe, de outras terras, outras religiões. Essa é também uma das preocupações que Mateus tem de contar com seu Evangelho: que Jesus não foi acolhido pelos seus e foi mais reconhecido pelos pagãos.

Ainda hoje em dia isso acontece. Muita gente que se prende demais a esquemas, normas e poderes da fé corre o risco de perceber menos a presença de Jesus do que pessoas que talvez nem sejam tão praticantes religiosos. Fica aí um alerta pra todos nós que vivemos a religião: não podemos nos apegar demais somente a normas e sistemas da religião, porque isso, no fundo, acaba nos afastando de Jesus.

Peçamos a Deus que as nossas liturgias e as nossas leis humanas não distraiam a nossa atenção do principal da nossa fé. Que saibamos reconhecer os sinais de Deus em nossa vida. E que possamos favorecer a outras pessoas também sentir a alegria dessa verdade de fé: Jesus veio pra nos salvar!

 

 

Padre Guilherme da Silveira Machado apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.