Comentário ao Evangelho do 32º Domingo do Tempo Comum (Jo 2,13-22) – 09/11/14
13Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém.
14No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados.
15Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas.
16E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”
17Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”.
18Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?”
19Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias o levantarei”.
20Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?”
21Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo.
22Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Comentário do Padre Guilherme
Era grande o número de pessoas que se dirigiam ao Templo de Jerusalém, vindos de muitos lugares. Lá chegando, eles procuravam fazer ofertas através do sacrifício de animais e da doação de dinheiro. Muitos negociantes tiravam proveito dessa situação, estabelecendo junto do Templo a venda de animais para os sacrifícios e também a possibilidade de se trocar dinheiro para que as pessoas vindas de longe pudessem trocar seu dinheiro estrangeiro pelo dinheiro local, que era o único aceito nos donativos.
Jesus, vendo o comércio sendo feito em um lugar que deveria ser mais destinado para a fé e a espiritualidade, ficou nervoso e, com uma ação forte expulsou toda aquela gente com os animais e desfez as mesas dos cambistas.
Mais tarde, pensando nesta ação de Jesus, os discípulos se lembraram de um versículo do Salmo 69 (Sl 69,10), que falava “o zelo por tua casa me consumirá”. Eles entenderam que essa ação de Jesus era mais ou menos um anúncio da Paixão, uma vez que o Seu desejo para que a vontade do Pai se realizasse era tão forte que O levava a gestos extremos.
Os judeus viram tudo aquilo e perguntaram a Jesus se Ele não iria realizar algum sinal prodigioso para comprovar que tinha mesmo essa autoridade para tomar decisões a respeito do Templo.
Jesus responde falando de um sinal que estava muito além da compreensão deles. Quando fala em destruição do Templo, não está querendo significar a destruição física do edifício, mas a destruição espiritual que estava acontecendo na religião pelos interesses materiais e ambições das autoridades religiosas. E é essa espiritualidade que Jesus restaurou no prazo de três dias, que é o tempo entre a Sua morte (que é o extremo da tentativa de destruição espiritual do verdadeiro significado da fé, por parte das autoridades judaicas e mestres da lei) e a ressurreição (que é a ação através da qual devolveu para aquele povo o sentido verdadeiro da fé).
Sem entender que Jesus falava não do Templo físico, mas do templo espiritual, os judeus ficaram confusos. A partir de Jesus, não é mais o templo físico, a construção de pedras, o lugar da manifestação de Deus. Jesus mesmo é o lugar da presença e manifestação de Deus no meio dos homens. Jesus é, portanto, o verdadeiro Templo.
Também os discípulos não conseguiram de imediato entender do que Jesus estava falando. Foi somente a partir da ressurreição e do dom recebido do Espírito Santo que eles tiveram condições de compreender plenamente os acontecimentos e as palavras da vida terrena de Jesus.
Podemos entender também no gesto de Jesus expulsando os vendedores e cambistas do Templo o significado de que aquela dinâmica de sacrifícios de animais eram práticas religiosas que se tornariam ultrapassadas. Com o sacrifício de Jesus, que é o sacrifício pleno e verdadeiro a Deus em favor dos homens, não têm mais sentido o derramamento do sangue de animais como oferenda a Deus. Pelo sangue de Jesus, foi realizado o sacrifício dos sacrifícios. É pelo sangue de Jesus que o perdão do pecado pode chegar até a humanidade. E é a partir do momento em que nos unimos ao sacrifício d’Ele, pela participação na Eucaristia, pelo seguimento aos Seus ensinamentos e por unirmos nossas dores, nossos esforços e nossos sofrimentos à Sua cruz, que passamos a fazer parte dessa nova possibilidade de se chegar ao que Deus deseja para a humanidade: a santidade de vida e a conversão do coração.
__________________
*Padre Guilherme da Silveira Machado é vigário paroquial na Paróquia de N. Sra. do Carmo, em Carmo do Cajuru. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14:00 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.